A TIM e a Claro não querem mais só o seu 5G

A TIM e a Claro não querem mais só o seu 5G

Notícias Por Lucas Ferreira06/04/2026

TIM e Claro não querem mais só seu 5G, elas querem seu negócio digital. Descubra a nova guerra por IA e nuvem e como sua empresa pode sair ganhando.

Se você ainda pensa que Claro e TIM são apenas as empresas do seu plano de celular, prepare-se para uma grande mudança. A movimentação recente no mercado prova que o jogo virou: as gigantes de telecomunicações estão invadindo o território de consultorias de TI para se tornarem o fornecedor único do seu negócio digital.

Este não é um movimento tímido. Com parcerias de peso e uma estratégia agressiva, TIM e Claro querem uma fatia generosa do “boom digital” que o Brasil atravessa, um mercado que muitas empresas ainda lutam para monetizar de forma eficaz. Vamos analisar o que isso significa na prática para o seu negócio.

As Teles Viraram Empresas de TI (e o Mercado Está Desperto)

A notícia mais quente é o avanço das operadoras no mercado B2B de tecnologia. Acostumamo-nos a vê-las como a empresa que fornece o “cano” da internet. Agora, elas querem vender a “água”, a estação de tratamento e o sistema de distribuição completo.

O que a Claro está fazendo com Nvidia e Oracle?

O movimento mais ousado veio da Claro, que anunciou uma parceria estratégica com Nvidia e Oracle. O objetivo é claro: oferecer computação de alto desempenho e, principalmente, a tecnologia do momento: Inteligência Artificial generativa.

Com a projeção de que 96% do conteúdo será de IA em um futuro próximo, essa corrida faz todo o sentido. A justificativa inicial é de que a tecnologia será para "uso interno", mas na prática, o que realmente funciona é testar em casa antes de vender. O plano real é empacotar essa solução e oferecê-la ao mercado corporativo através da Claro Empresas.

A estratégia da TIM com Big Data

A TIM não está para trás. Fabio Costa, VP de B2B, detalhou como a empresa está usando a imensa quantidade de dados que já possui para criar dashboards e ferramentas de análise para clientes corporativos.

A lógica é brilhante: eles já detêm a infraestrutura e os dados de localização e uso de milhões de brasileiros. Transformar essa informação em inteligência de mercado para um varejista ou uma indústria é um passo natural e extremamente poderoso.

Como sua empresa pode se beneficiar (ou se proteger) disso?

Estamos testemunhando o nascimento de um novo tipo de fornecedor. Para uma PME que antes contratava internet da Claro, nuvem da AWS e cibersegurança de uma terceira empresa, a promessa de unificar tudo em um único boleto é muito atraente.

Um erro muito comum que vejo empresas cometerem é focar apenas no preço inicial. A grande questão é se as teles conseguirão entregar essa sopa de letrinhas (TIC, IoT, IA, Cloud) com a agilidade e a qualidade que o mercado de TI exige.

Checklist rápido para avaliar essas novas ofertas:

* Analise o SLA (Acordo de Nível de Serviço): O suporte para um serviço de nuvem precisa ser instantâneo, não o padrão de 72 horas úteis de um chamado de internet. Imagine seu e-commerce fora do ar na Black Friday. Você precisa de um suporte que resolva em minutos, não em dias. Este é o ponto mais importante da negociação.

* Use a Competição a seu Favor: Leve a proposta da Claro ou da TIM para seu fornecedor atual de TI. A concorrência é a melhor ferramenta de negociação que existe. Na minha experiência, fornecedores estabelecidos costumam cobrir ofertas para não perder um bom cliente, muitas vezes agregando serviços extras no pacote.

* Comece Pequeno: Antes de migrar toda a sua operação, teste um serviço pontual e de baixo risco, como o backup em nuvem. Veja como a nova cultura de atendimento funciona na prática. Se a experiência for positiva, aí sim considere migrar sistemas mais críticos.

A Lição de Cibersegurança que Vem do Setor Público

Quando pensamos em inovação tecnológica, raramente olhamos para o governo. No entanto, o estado do Maranhão deu uma aula de maturidade digital esta semana.

Durante um fórum nacional de tecnologia para o setor público, foi apresentado como o estado se integrou à rede MISP (Malware Information Sharing Platform), uma plataforma global para compartilhamento de informações sobre ameaças cibernéticas. Além disso, eles estão implementando IA para otimizar a gestão pública.

Por que isso é relevante para o seu negócio? Primeiro, prova que a demanda por segurança digital e IA não está mais restrita aos grandes centros. Segundo, e mais importante, eleva a régua para todos. A era do “instala um antivírus e está resolvido” acabou.

A lição aqui é proatividade. Se um órgão público consegue se integrar a uma rede global, sua empresa pode começar com uma auditoria de segurança básica para entender suas próprias vulnerabilidades.

Regulação no Trabalho: O Direito à Desconexão é Só o Começo

Saindo da tecnologia pura e entrando no seu impacto humano, o Congresso Nacional começou a debater a regulação do uso de ferramentas digitais no ambiente de trabalho. Todo gestor precisa acompanhar isso de perto.

Dois temas estão em pauta: o uso de algoritmos na gestão de pessoas (sistemas que monitoram produtividade) e o famoso “direito à desconexão”, que busca proteger o trabalhador de jornadas infinitas via WhatsApp e e-mail.

A minha recomendação para quem está na liderança é simples: não espere a lei. Empresas que criam políticas internas claras agora saem na frente. Isso reforça uma cultura de respeito e mostra que a volta do fator humano em meio à automação é um diferencial competitivo.

Passos práticos para implementar hoje:

  • Defina Horários de Comunicação: Estabeleça uma política clara sobre quais canais usar (ex: Slack para urgências, e-mail para o resto) e em quais horários. Comunique isso a todos.
  • Lidere pelo Exemplo: Se você, líder, envia e-mails de madrugada, sua política é apenas um papel na parede. Uma cultura saudável de desconexão reduz o burnout e, acredite, aumenta a produtividade real durante o expediente.
  • Use a Tecnologia a seu Favor: Incentive o uso de ferramentas que permitem agendar o envio de mensagens para o horário comercial. Gmail e Slack, por exemplo, oferecem essa função nativamente.
  • O Dilema do Varejo: Foco em IA ou em Descontos?

    Para fechar, um dado do varejo que revela muito sobre o comportamento do consumidor. Uma pesquisa mostrou que o mercado de bens tecnológicos cresceu 5% em 2025, impulsionado principalmente por e-commerce e promoções.

    O mais curioso é o paradoxo: 51% dos consumidores dizem ter interesse em usar IA para ajudar nas compras, mas, na prática, o que realmente move o ponteiro são os descontos. Isso revela que, muitas vezes, o erro não está no produto, mas na estratégia de vendas.

    Depois de analisar dezenas de casos, posso dizer que a solução não é escolher entre IA e promoção, mas usar uma para otimizar a outra. Em vez de um chatbot complexo, teste uma automação simples que ofereça o cupom certo para o cliente certo, no momento certo.

    Por exemplo: se um cliente visitou a página de um produto três vezes e não comprou, configure um e-mail automático para ser enviado 24h depois com um cupom de frete grátis específico para aquele produto. Isso é usar a inovação para servir à estratégia, e não o contrário.

    Próximos Passos: Como Navegar Neste Novo Cenário Digital

    Refletindo sobre estas notícias, fica claro que a infraestrutura digital deixou de ser um assunto de bastidor. A base da pirâmide – conectividade, nuvem e segurança – tornou-se tão estratégica quanto o topo – seu produto ou serviço.

    Para não ser apenas uma peça no jogo de empresas maiores, sua atenção deve se voltar para:

    * Usar a Concorrência para Otimizar Custos: A entrada das teles no mercado de TI é a sua chance de renegociar contratos e buscar soluções mais integradas e econômicas.

    * Adotar uma Postura de Segurança Proativa: Se até o governo está se modernizando, sua empresa não pode ficar para trás. Comece com uma auditoria de vulnerabilidades.

    * Antecipar a Legislação e Fortalecer sua Cultura: Defina as regras do jogo sobre o trabalho digital antes que o Congresso o faça por você, transformando isso em um diferencial na atração de talentos.

    * Aplicar Inovação para Resolver Problemas Reais: Adote tecnologias como IA não como um enfeite, mas para otimizar o que já funciona, como suas estratégias de precificação e promoção.